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Espelho dos inocentes

Posted by Gustavo Pitwak on 09:21
Se existirá um dia um julgamento, será diante ao espelho, ao olhar-se o réu em sua totalidade refletida no espelho dos inocentes, perante o que fez, não existe culpa maior do que a própria imagem, aparentemente pode tentar enganar-se, pode tentar seduzir com idéias, e concepções do idealismo hipócrita, mas nunca falha, pois pune a mente, que é já tão fadada a recriminações.
O homem não acaba com o desumano, porém este o acaba, superficializando o pensamento em nossa sociedade, diferente dos séculos passados, dos grandes inventores, compositores, cientistas e escritores. Mesmo considerando que hoje atingimos um ponto de saturação, o homem pós-moderno se escora na facilidade tecnológica, prostituindo o raciocínio cientifico, que atualmente não duram mais do que uma entrevista, reportagem de jornal ou duas páginas de revista.
As tecnologias são montadas para facilitar nossa vida, mas com o fácil acesso perde se a qualidade da informação, e não se usufrui para a formação intelectual, e sim para criar mais comodidade, na garantia de estar atualizado.
Quando se para e pensa, mesmo que pequenas coisas cômodas, elas formam juntas o conjunto de nossa imobilidade, tanto física como mental dos indivíduos, não subimos mais escadas, usamos elevador, não calculamos de cabeça, usamos calculadora, não andamos mais ao ar livre, vamos à padaria de carro, nem o vidro do carro a gente roda mais pra abaixar, é elétrico, não pensamos mais, assistimos tv e lemos revistas.
Nesse ponto é importante ressaltar que o homem hoje não busca suas respostas na religião ou antropologia, a maior busca dele é por seu ego, o consumismo explicito, vencer hoje em dia, significa ter mais que o outro, ou melhor. A maioria das pessoas acha que estão navegando rumo ao progresso democrático e pessoal, enquanto isso o grande navio segue rumo ao precipício dos hipócritas, se afogando em inveja, ganância e destruição social. Mas sobre o espelho, acredite, passam se anos, mas um dia você se vê, frente a frente, refletindo a imagem triste de seus últimos capítulos irreversíveis, ou a felicidade de ter escrito um bom livro.

(Gustavo Pitwak)

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Os chocolates acabaram

Posted by Gustavo Pitwak on 09:05

Desde que me mudei para o interior de São Paulo, não me conformo com o clima, quase todos os dias do ano são quentes, e só eu sei o quanto me irritei com o calor, o ar abafado, a vermelhidão que o sol deixava e o desgaste físico, o calor exausta muito, ainda mais quando não se tem uma praia por perto, pra deixar os pés enterrados na areia, a maré que vai subindo, enquanto à noite vai caindo, com a lua deitada nas ondas, imaginando me lembra o deslumbre litorâneo nordestino.
Deixando de lado a praia, venho aqui a falar que de uns tempos pra cá, os dias foram diferentes, o tédio em cada canto da casa me distraindo de qualquer inquietude, o suor escorrendo, deslizando como os ponteiros do relógio, roubando-me mais alguns segundos do dia, mas não me importo, sabe, ás vezes é preciso um pouco de melancolia e solidão para se dar valor as coisas boas da vida, como a alegria e onipresença dos amigos.
Sempre me pergunto, se realmente estou descartando as cartas certas? Será que tudo é um jogo? Ou será que já está tudo traçado, após ter nascido é só “deixe a vida me levar”, este que na qual não é o meu dilema de vida, com certeza, e que me desculpe o poético “Zeca”. Ultimamente não ouço mais o som romântico que antes tocava, um momentâneo “stand by me”, nem as flores, os chocolates, ou beijo mordiscado, não tenho mais a quem dedicar essas caricias, por enquanto a certeza é que a cama ainda está sozinha, sem mais espaço pra tanto vazio, se assim se pode dizer. Questiono-me pensando alto: “Em qual rumo estamos indo, se ninguém é de ninguém?”, a relação no século XXI está muito mais complexa, de tanto se tentar simplificar. Vai se entender?
Talvez isso seja uma grande lição de moral, como uma vez ouvi dizer, que “só se sente o verdadeiro sabor do doce, quando se provou do amargo”.
Mas daí eu entro numa reversa indagação, e quando se prova bastante do doce (amor), sem dar o devido valor? Será que terá de se provar do amargo em mesma dose? A verdade é que tenho medo, de um dia acordar e descobrir que acabamos nos frustrando do amor, e que procuremos em outro sentimento a nossa satisfação, já que “sexualizamos” até os objetos inanimados, ás mais intangíveis opções. As pessoas perderam o ponto de referência entre a vida e realizações pessoais, o correto atualmente é desejar, ser, alçar alto, custe o que custar, alcançar o mais longe, mesmo que custem inimizades, o que não é difícil hoje, já que amizade, honra, e honestidade perdeu o valor límpido de tempos atrás.
O amor ficou de lado? Ou ele nos deixou de lado? Perdemos o calor que tínhamos com ele, nosso envolvimento com ele caiu na rotina, e se dissolveu em meio a tanta preocupação com valores capitais, que equiparamos cotidianamente aos indivíduos que nos rodeiam o meio social.
Em contra ponto, mesmo com tanta preocupação com o bem estar, imagino que estamos fadados a pelejar atrás de algo inalcançável, ficando inertes ou sujeitando-nos a mediocridade de nossas vidinhas modernas, a mesma que achamos nos intelectualizarmos, nadando no “mar morto” do superficialismo do século XXI, meio como seguindo a ideologia “zumbis”, vagando e vagando pelo sangue do outro. A gente não tem mais aonde procurarmos por nós mesmo, não á mais “homem” dentro dos homens, nem “mulheres” dentro de mulheres, a não ser no sentido malvado e sexual.
Ao menos nos sonhos posso imaginar que no futuro ainda haverá um suor que possa valer a pena, com os chocolates, as flores, possivelmente na praia, de um lado um amor com amor, que dure ao menos até o Sol se pôr, simples como essa rima.
(Gustavo Pitwak)

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Ração humana

Posted by Gustavo Pitwak on 14:49

Em dias atuais, de tanta informação, e conectividade da mesma, a momentaneidade e a disponibilidade de “tudo” a todo tempo, exacerba ao usuário homem, que este perde seus valores.
Neste aspecto o homem inverte seu posto perante a globalização, não mais a moldando, e sim, moldado.
A globalização criou vida, e tem suas próprias pernas. O homem moderno achou que iria navegar neste rio, desbravar com mais facilidade pelas margens do progresso, porém quem dita as regras é a correnteza global.
Sem presságios, no contexto atual ou se cresce, ou afunda, ou evolui, ou vira hippie, ou acompanha, ou espera vegetando a eutanásia capitalista.
E concreto se dizer que estamos aberto a novos horizontes, digitalizamos, intelectualizamos, informatizamos, mas esses tipos de atributos ou informações, são de alto nível e não tem fácil acesso a margem social, quando se pensa na complexidade de sua qualidade.
A maior disponibilidade que existe, é destinada para você ficar integrado conforme a dança. Imagina-se que seja que informação hoje em dia é como uma produção agrícola, no decorrer do ano é plantado e fertilizado o produto (realidade), assim a primeira safra (fatos) nasce, daí então é colhida a matéria prima (informação), é separado os grãos entre tipos A,B e C (classes) e por assim em diante. Separado os grãos eles são manufaturados (informação manipulada) para cada respectivo consumidor (público), depois passa pela indústria, que a adequando e usando embalagens para a distribuição da ênfase final (sensacionalismo), chegando finalmente ao campo de distribuição (canal) para o mercado (meio).
O mais intrigante, é que ainda são usados os bagaços e os farelos de toda produção, para destinar-se aos animais irracionais (bobalizados), pobres animais, pensam que estão consumindo, mas na verdade serão consumidos, enquanto aguardam na engorda capital, são eles ruminantes que gostam de rodear pelo pasto (TV), e apreciar uma boa lavagem, mesmo que esta seja cerebral.
Realmente isso é a pura “antropofagia”. Daí se você me pergunta: “Antropofagia, não é do homem? Você esta não estava falando de ruminantes?” Resta-me responder ao importuno: “Ah! Se não entendeu? Faz o favor, liga a TV e boa diversão”.

(Gustavo Pitwak)




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A Globalização é gay

Posted by Gustavo Pitwak on 14:36

Entrei em contradição ao pensar sobre a sociedade, pois não somos mais quem somos. Aliás, quando nós fomos? Como mesmo diz a música, “Ah! Se eu fosse homem com” h “maiúsculo”, mas eu tenho uma camisa rosa no armário, e tema uma bege, e o tênis e branquinho. Pergunto-me “Meu Deus, cadê a bota e o sapato?”, a gravata ta na mala, mas o brinco ta na orelha, “putz” o desodorante tem um cheiro doce, e de chocolate.
Em nossa conta sexual, muitos não sabem quando, aonde e quantos foram. De certa forma estamos esticados nessa cama social, cobertos com um lençol de sexualidade explicita, degustando a pansexualidade, do grego “pan = tudo”, e não é incorreto dizer que de certa forma “ta tudo liberado”, sendo ainda algumas coisas escondidas ou com uma leve discriminação por ainda existir uns resquícios de tradicionalismo da igreja, sociedade ou cultura, mas quando comparado há décadas atrás, isto fica parecendo um “balaio de gatos”, a verdadeira “gaiola das loucas”, gente procurando gente, na verdade procurando por eles mesmo.
O individuo pós-moderno esta além da religião, digo isso porque só ela já não basta, ou não consegue mais explicar ou fazê-lo entender sobre sua origem.
Se existe a desconceitualização do tradicional, logo o ser homossexual vira normal, metro-sexual é banal, mesmo dentre os homens, e ser lésbicas já virou fetiche.
As pinturas e esculturas antigas não me surpreendem, á muitos menos as novas gerações (não que eu seja velho, mas isto expressa como em curto prazo de tempo as mudanças são bem mais avassaladoras, do que como antes), mesmo com a delicadeza de cada traço esculpido ou pintado, e em especial as reproduções do corpo feminino, talvez essas artes perderam seus valores por causa da cultura pornô explicita e a industrialização dos valores artísticos.
A industria custeou o corpo, o amor, as paixões e que hoje também seguem tendências como de moda, quantos (a) não trocam de namorada(o) como se troca de roupa.
A tal globalização é meio que assim, sem sexo determinado, porém tarada, sem formalidade, cheia de cores e curvas, como um arco-íris da parada gay. (Gustavo Pitwak)

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Atualização sócio-cultural

Posted by Gustavo Pitwak on 14:58

Desde muito tempo analisei as atitudes humanas, desde as crianças, os adolescentes até os de terceira idade. Existe um conjunto de ações determinantes do agora que deságua no depois, imagina-se que atitudes mesmo que momentâneas refletem amplificadas no futuro. Não consigo imaginar no contexto normal da sociedade,que ainda tente-se enformar-se no modelo antigo, pois é tão traçado, formar-se, trabalhar, casar, reproduzir e estabilizar.
Hoje temos mudanças neste contexto, mas a sociedade ainda repousa em cima deste modelo, como se fosse uma breve atualização. O trabalho começa mais cedo, casamentos duram menos, tem se menos filhos e assim sucessivamente.
Estamos prestes á colidir, adentrando ao colapso de paradigma de sociedade conceituada. Passemos agora ao conceitualização individual, é um esboço imaginário do que nos aguarda, totalmente desprendido de vinculos matrimoniais, já não á mais tempo para a o sexualismo irracional, estamos calculando tempo, dinheiro, valores sociais, e em breve uma nova atualização, uma versão mais "clean" da sociedade.
Dizem que o homem esperava da globalização e sua hiperconectividade uma comodidade maior, ela trás, e muito. o que acontece é que o homem pós-moderno ele cobra mais e mais de si, ele é um homem descaracterizado por se descaracterizar, ele esta trocando constantemente seu envólucro social e cultural. A cada passo que se dissolve tradicionalismos antiquos, crendices mediocres, a cada nova concepção, a cada nova mente se abrindo para a verdadeira realidade, o homem fica cada vez mais livre para o raciocinio real, embora assim ele se depare com a avalanche de informações que a dromocracia cibercultural trás.
Retomasse então a remodelagem do sócio-cultural, e enquanto estivermos lhe dando com economia em crise, burocracia das politicas externas de países desenvolvidos, hipocrisia da igreja e das organizações de apoio aos países subdesenvolvidos, carga tributária elevada e sistema de governo corruptos, estaremos presos na crise de identidade, sucunbindo a respiração entre o neo-mundo e o sub-mundo.

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Imundo

Posted by Gustavo Pitwak on 08:51

Sistemas instalados, redes conectadas, e o canal aberto. Finalmente estamos no patamar totalitário da globalização capitalista.
E de repente nós estamos integrados, não novamente, mas sim em algo totalmente novo. O aborto foi liberado, como as pesquisas em células troncas, o casamento gay, e até a pena de morte. A economia atingiu um superávit, picos de lucratividade, o bio-diesel alçou o mercado global, pois a produção esta em vento e polpa, igualmente a agricultura. A educação brasileira está entre os dez melhores no mundo e deixou de aprovar jovens sem instrução.
Não se vê mais gente embaixo dos viadutos, muito menos nos sinais, o nível de desemprego despencou bruscamente, e a distribuição de renda esta finalmente nivelada. Os projetos de inclusão social vão bem. A saúde supre agora toda a população, e com qualidade. A justiça não pesa mais para lados prevalecidos, e desta forma não se vê mais laranjas nos esquemas de lavagem de dinheiro, e o senado funciona sem precisar de CPI, ou escutas telefônicas. Nunca mais uma empresa fantasma ganhou licitação para obras públicas, o que se vê são construções para todo lado, com grandes projetos de saneamento básico.
O crime organizado foi dissolvido nas favelas, mérito do exército que se posicionou em uma grande operação de desmanche do narcotráfico. A policia militar está distribuída em todas as áreas urbanas, tanto nos bairros pobres como nos da alta, a segurança foi estabelecida.São seis e meia da manhã. Acordei, era um sonho, um grande sonho. Vou passar um café pra tentar espantar o sono que trás ilusões, meio que como a superficialidade que tenho ao ligar a tv.

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Os dias que perdi

Posted by Gustavo Pitwak on 08:47

Uma caneca de café, um lápis, um caderno, um computador e mais pouco de café e mais café. Como se fosse um poço infinito, como se patinasse no gelo, sem meus patins, escorregando não sei para onde ou nem saindo do lugar. Estou tentando contar como as estrelas no céu, os dias que perdi. Odeio quando estes flashs de lembranças me fazem tentar contar cada um dos erros que já se foram, cada segundo e minutos que antecederam o agora, e que vão dissolver o meu amanha, e não sei como será.
Eu poderia estar melhor? Eu poderia estar melhor. E é como se uma melancolia invadisse sem pedir licença, e com toda falta de educação. Que ótimo, estou desperdiçando meu café em melancolia. Mas eu sei que poderia, então porque não fazer uma critica a mim?
Eu podia ter crescido como os grandes, e me limitei aos medíocres, e se influenciei pelos sujos, e deixei de lado os integrados da massa, se esbanjando ou se afogando em algum programa de vida que diziam feliz. Eles nem sabiam, e por isso riam de tudo e do mundo, a essa altura eu já me entediava, e chorava por dentro e por tudo. Eu perdi meu hímen da realidade, e descobri que existe muita maldade. Não temos mais líricas, não temos mais champagne e flores. Mas temos camisinhas de chocolate, calcinhas comestíveis e bonecos infláveis. Eu me surpreendo de não ter ainda desistido de mim, tentando buscar a cada dia força pra me levantar, mesmo que da cama. Porque se levantar? O que me espera?
Eu consigo sentir falsidade nas pessoas, mas guardo pra mim. Eu vejo olhos ardendo inveja. Comentários ácidos, hipocrisia em toda parte, e em tudo com certeza uma grande falta de arte.
Adaptei-me á muito tempo a esse mundo, e já não sou mais eu. Já me coloquei numa jaulinha qualquer, num cativeiro global. Um dia eu me solto nessa selva de pedra, com caçadores armados em dinheiro e boas palavras, montados em seus imponentes meios de comunicação. Eu ligo a TV e me sinto espionado. Não estou vendo nada, eles que estão me vendo, quando ligo sabem que estou suscetível á receber um tiroteio de informações, um Head-Shot.Ninguém vai ler um texto de um “reclamão”, por mais que isso pareça ser um deságüe de magoas com a sociedade. Também ninguém merece ser acordado de um sono, num sonho bom. E é isso que representa, mas não é isso que quero. Eu também quero dormir e ter um sono bom. Mas não consigo, então por enquanto, um pouco mais café.