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Finalmente nascendo

Posted by Gustavo Pitwak on 08:27

Escrever sobre coisas que andam conspirando, e pensar um tanto, porém esperar muito, enquanto se recebe pouco, é como lamber o final de um copo de orgulho, é o que existe entre esse vão do anonimato, mas a gente sempre acaba voltando ao normal, respirando um pouco aliviado, com a liberdade que ainda resta.
Se você sabe tão pouco, o quão pode ser feliz, a inteligência estressa, a mediocridade empaca, a burrice ri, enquanto a loucura deprava.
Mas o vicio da sapiência invade a mente, quer colocar “caramiolas” na cabeça, refletir cada tom, censurar mesmo que um pequeno som. Não são apenas os livros que caracterizam o estudioso. Muitos cientistas se basearam apenas no que viam e no que sentiam ou imaginavam, o próprio Einstein dizia, “A imaginação é mais importante que o conhecimento.”
A vida é um experimento com dias contados, do dia em que nascemos estamos perdendo tempo de experiência, isso quando não o fazemos. E um tanto complexo viver, imaginar é bom, viver uma imaginação pode ser uma eutanásia da alma, ao mesmo tempo em que o individuo que vive na extrema realidade, se priva da arte de sonhar, que dá sentido a tudo, é o porque e para que vivemos.
Faz algum tempo, havia um professor que me dizia que a sociedade crítica ainda viria, pra levantar suspeitas sobre toda essa hipocrisia global, que há tempos nos vem embalsamando de mentiras, um grande fetiche sem sonho, a mesma sociedade que está sempre num réveillon qualquer, comemorando com taças de cristal regadas de champanhe, com brindes e orações de paz, roupas brancas, altruísmo intangível em promessas de um ano melhor, mensagens de amor soando no ar, por todos os lados, como se tivesse algum sentido, pelo menos até a festa terminar, em um porre de uísque importado na cabeça de um burguês abandonado.
Não faz bem a saúde tentar enxergar a malicia, não faz bem guardar o rancor, vale à pena explodir a raiva pra fora, aproveita pra explodir o amor, explodir os sentimentos. Explodir os pensamentos, não faz mal dizer bom dia, não faz mal engolir os erros junto com o orgulho.
Existe um problema com a sociedade em aceitar a sua parcela de culpa, e para isso é mais cúmulo, encostar-se a uma ideologia capitalista, pra não ver que nem todo morador de rua é assim porque prefere. Nem todas as mulheres ou homens se prostituem porque gostam da profissão.
Algumas pessoas me disseram que não ajudam moradores de rua, pelo argumento de dúvida, “- Onde ira gastar?”, “- É um velho bêbado”, ou um argumento mais ridículo ainda “-Ele não estudou porque não quis”, o que deve existir é chance para todos, e mesmo com pouco se faz muito, de repente a esmola de dez centavos de três pessoas, possa ser um pão, uma simples refeição, ou mais um dia de vida, é da simplicidade de pensamento que vem a grandeza de caráter, é o caráter que faz o homem, e este que faz a sociedade, se a sociedade vai mal, é explicitamente uma coletiva falta de caráter.
O ser humano mesmo em sua individualidade tem o dom de dar a vida, não estou falando de “sexo e reprodução”, algumas pessoas aos quarenta ainda não vivem, talvez se inspirando em democracia, assim como a morte, que vem para todos.
Evoluímos mais de mil anos em tecnologia, criamos milhões de máquinas, regredimos tanto em ideologia, para tanto, tantas baixas, uma guerra irracional no submundo, e todos os dias.
A questão não é julgar algum nicho social, um ponto geográfico, brincando de “batata quente”, mas reconhecer que se um “mundo melhor” é feito com a união, vamos parar de ficar “lavando as mãos”, fazendo planos pro próximo ano, esperando sempre dos outros, em um futuro que nunca vem. (Gustavo Pitwak)