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Extinto de extinção

Posted by Gustavo Pitwak on 09:31
Ando com vontade de sair da cidade, sair do Estado, seguir em estrada até minha terra, queria não mais ver este trânsito, nem ouvir esse barulho de caos, não de metrópole, mas esse barulho de gente falando, sobre seus “egos”, exaltando suas ostentações, afirmando seus rancores. Acho que pensando assim às vezes teria de fugir do mundo.
Queria um pouco mais de simplicidade, mas eu mesmo me cobro involuntariamente mais e mais, sem me culpar. Eu queria poder sair com os amigos, mesmo que fosse pra conversar, tomar uma erva-mate tererê.
Gostaria de encontrar alguém, pra poder desabafar toda essa incoerência dos hábitos humanos. Certa vez até me deram uma dica dizendo: “você precisa acreditar em alguma coisa, ir a uma igreja, sei lá”, aquilo me soou estranho, mais especificamente este “sei lá”, como se fosse assim, “procura alguma coisa, qualquer coisa”, a fé hoje parece tão simplificada, e comercializada como a qual se oferecem um canapé “pega um”, naquele momento fiquei pensativo, fui indagado á um profano herético, acredito em Deus como uma força superior a tudo, no mais, não tento ficar criando teorias mágicas pra explicar ou persuadir pessoas e mover multidões. Nunca na minha vida me confessei, já é tão difícil acreditar nas pessoas que se pode olhar nos olhos, imagine nas que ficam por trás de um confessionário.
Estou desanimado com esse excesso de hipocrisia, instituições que dizem ajudar, governo que diz construir, igrejas dizendo salvar e até curar, tudo se aproveitando do sussurro desesperado dos humanos, procurando a salvação das suas próprias cabeças. Eu me preocupo com o mundo, mas não me importaria se as catástrofes ficassem mil vezes mais potencializadas sobre o homem, especialmente sobre os paises que praguejam o planeta, afinal “aqui se planta, aqui se colhe”, e nem seria de mau gosto, se voltássemos a uma era glacial, ou, nos tempos das cavernas, quem sabe? Desde aqueles tempos as civilizações passaram por mutações, e evoluções sociais, e logo econômicas, mas nunca um conceito primata poderia expressar melhor o modelo de coletividade, aonde existia uma terra para todos, com grupos (não classes), onde uns plantavam, uns colhiam, outros caçavam, e independente da sua ocupação ou posição social, todo o processo era para beneficiar a todos.
Não defendo bandeiras, ninguém veio deste país, daqui ou dali, todos vieram perante um extenso processo de evolução genética, que diferenciou aparentemente alguns de outros, o difícil é acreditar que mesmo provendo de raciocínio e inteligência, diferente de quase todas as espécies, e que por extinto de reprodução criamos o “amor” e a “família”, por extinto de materno criamos a “infância”, só não entendo, porque se por extinto somos animais que vivemos em grupos e sociedade, existe tanta desigualdade social no mundo, ironicamente deve provir do extinto assassino.

(Gustavo Pitwak)